segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Névoa e Lágrima [ 10-08-2015 ]

é tão estranho ver o presente virar passado
ali da sua varanda
bem em frente a seus olhos
aquela linda paisagem noturna
de repente tão dolorosa
o silêncio das lágrimas
o barulho dos grilos, da mata e dos carros
bagunçando os pensamentos já bagunçados
aquela névoa rotineira tão tranquila
tão conflitante com o amargor do momento.

A despedida.
A chave devolvida.
A revelação daquele detalhe romântico
que acontecia
enquanto eu dormia
e você insone
ia para essa mesma varanda,
observar a névoa, a noite, a mata,
o movimento dos poucos carros,
a lua e as estrelas, se elas estivessem por lá.
Depois voltava pra cama
e contemplava meu sono sossegado
e me fazia carinho.
E eu dormindo...

Nunca estiva tão ciente dessa transição...
O passado sempre pareceu não acontecer
Um dia, de repente, já fazia alguns tantos anos que eu tinha 17.
Mas nessa noite eu vi o tempo passando.
Nessa noite eu senti o peso da minha escolha
e o medo
e a tristeza
e o que era meu presente ficar ali com cara de bobo,
parecendo um sonho de criança
O sofá não parecia real
as paredes não pareciam reais
um cenário estranho.
E enquanto eu te abraçava várias cenas aconteciam naquele cenário
Desembrulhar a mesa...
Pintar paredes
O sol entrando por uma fresta da cortina naquele sábado à tarde
Se foi real?
Sim. Meus sonhos sempre foram reais.


sábado, 11 de julho de 2015

[ 08-07-15 ]

Suspiros de tristeza preenchem meu dia
Nessa quarta-feira desbotada
chove mais do que deveria
O piscar dos meus olhos inchados pesa para abrir
Vontade de não abrí-los...
Me chega pelos fones de ouvido a voz doce de Alceu Valença
numa melodia mansa de amor que me faz lembrar Olinda
(e você também)
Essa era uma daquelas músicas que eu ficava torcendo pra que você gostasse
Para ouvirmos juntos deitados na grama num dia de sol
Talvez umas cervejas e o ruído de alguns amigos de fundo
"Ruas desertas... Velhas paredes...
Desenho um verso e um coração vermelho...
De corpo inteiro um berro d'água tantas vezes..."
Não quero voltar mais pr'aquela casa vazia
"Sonhamos água..."
Não quero todo aquele espaço sobrando na cama
Não quero o silêncio.
Perdi a agulha da vitrola não sei como
Da última vez que a coloquei pra arranhar um disco estava frio também
Led Zeppelin. Tomando whisky Jack Daniels
"Pra nos deixar assim depois com sede..."
Mais um suspiro triste.
Sinto as lágrimas subindo aos olhos
Bocejo e olho pra cima pra disfarçar.
Hoje o dia vai ser longo.
(Mais um suspiro)
"Ruas desertas... Velhas paredes..."








domingo, 21 de junho de 2015

[ 21-06-15 ]

Essas lágrimas irreprimíveis
Só fazem com que o frio
Doa ainda mais
Só fazem com que o frio
Congele aquele sentimento quente
Que estava dentro de mim
Essas lágrimas
Não me deixam dormir
Essas lágrimas
Ainda me matam